Doença de Parkinson e Parkinsonismos Atípicos

Doença de Parkinson (DP)

Doença neurodegenerativa progressiva do sistema nervoso, que se caracteriza pela degeneração dos neurónios dopaminérgicos da substância negra. Os sintomas surgem de forma gradual e manifestam-se sobretudo por alterações do movimento normal, incluindo:

Sintomas motores mais típicos:

  • Bradicinesia – lentificação dos movimentos;
  • Tremor de repouso;
  • Rigidez muscular;
  • Instabilidade postural.

Para além dos sintomas motores, muitos doentes apresentam também manifestações não motoras, tais como:

  • Problemas neurocomportamentais e perturbações mentais e psiquiátricas (depressão, ansiedade);
  • Défices cognitivos, incluindo alterações das funções executivas e da memória;
  • Disfunção autonómica;
  • Fadiga e alterações do sono;
  • Tempo de reação prolongado;
  • Disfunção olfativa;
  • Distúrbio comportamental do sono REM;
  • Obstipação.

Parkinsonismos Atípicos

Dizem respeito a um grupo de doenças neurodegenerativas que se distinguem da doença de Parkinson por apresentarem:

  • Resposta pobre ou transitória à terapêutica dopaminérgica;
  • Progressão mais rápida;
  • Sinais neurológicos adicionais (“red flags”);
  • Prognóstico globalmente menos favorável.

Entre elas, destacam-se:

  • Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS);
  • Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP);
  • Degeneração Córtico-Basal (DCB).

 

Cada uma destas patologias — PSP, AMS e DCB — apresenta diferentes variantes clínicas, que se distinguem pelo predomínio e padrão dos sintomas motores, cognitivos ou autonómicos, mantendo, no entanto, a mesma base patológica subjacente.

Particularmente nos estadios iniciais, os sintomas da doença de Parkinson e do parkinsonismo atípico podem ser muito parecidos (10-20% de sobreposição).


Como podemos ajudar?

Até ao momento, não existe cura para estas doenças; assim, a abordagem terapêutica é essencialmente sintomática e divide-se em:

Intervenção farmacológica

  • Inclui medicação dirigida ao controlo dos sintomas motores e não motores, embora a resposta seja, geralmente, limitada no caso dos Parkinsonismos Atípicos.

Intervenção não farmacológica:

  • Baseia-se numa abordagem multidisciplinar com o objetivo de manter a funcionalidade, prevenir complicações e promover a qualidade de vida.

Intervenção cirúrgica:

  • Em casos selecionados em que os sintomas da Doença de Parkinson já não estão bem controlados com medicação, pode ser considerada a estimulação cerebral profunda (DBS- Deep Brain Stimulation), uma cirurgia que ajuda a reduzir os sintomas motores.

Devido à complexidade da doença, é recomendável que diversos profissionais estejam envolvidos no cuidado do doente, incluindo fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, neuropsicólogos e nutricionistas.

Este acompanhamento deve ser regular, sendo essencial para monitorizar a evolução dos sintomas, prevenir complicações — como quedas e desnutrição — e ajustar as estratégias de intervenção ao longo do tempo.

Considerando o caráter progressivo da doença, o suporte contínuo ao doente e à família assume um papel central na gestão desta condição.


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